sábado, 25 de agosto de 2007

SEXA

E não é que vem a calhar?


- Pai...
- Hmmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino...
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe, porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui: tem sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculino seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai...
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática...

"Sexa", crônica in "Comédias para se Ler na Escola", Ed. Objetiva

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Decisões

"De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho... que é escuro e frio mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu a minutos atraz..."

Chega um dia na vida da gente que o dia chega!
Quando percebemos que somos quem decidimos ser e o que construimos durante todos os dias.



Eu gosto mesmo é de falar de amor, não me peça lógica!
Não sei falar de mim, ambições e receios.
Meu encanto pela paixão, meu canto para um amor, meu desejo do não desengano, me mantém.
E não sei expressar-me diferente. Nada se anuncia. Nada se propaga em mim de outra forma ou se alastra de mim em outros versos.
Quero músicas, livros, paisagens neste inexato pressuposto de volume igual.
Aqui não se acha explicitas frases, poemas e cartas de suspiro conjunto.
O contrário, do meu suspiro só, brotam letras indiferentes ao entendimento de quem as lê.
Por isso nem mais nobres, nem mais prosaicas. Minhas.